Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

JASMIM

degustar o sabor macio

suaves roucos miados

denúncia da volúpia

em carícias lentas e meigas

a mão que repousa no rosto

levemente

suavemente

orgia no braço que num abraço prende o corpo

gesto firme e suave

abrasiva entrega

sem espaço nem tempo

cósmico incenso

do aroma de canela e café

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 00:02
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Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

VERBOS GENEROSOS

Se eu morrer antes de ti

guarda o carinho que te tenho.

Meus sonhos estreitos

não troques por passos às avessas.

Perco-me no meu cansaço

onde todas as horas

cruzo palavras soterradas.

Nas noites infinitamente compridas

soletro verbos generosos.

Se eu morrer antes de ti

guarda o carinho que te tenho.

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:59
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VERDADE

não quero gestos grotescos

nem enxovias pujantes de viço, animalescos!

que querem de mim?

porque me querem endoidar

entre aromas de Maio florido

brisas de sonho

em que me deixo embalar…

Onde querem que aporte

quando aromas, brisas

almíscares, tons

e sons melodiosos

unissonamente rumam

harmoniosamente confluem

e divergem

a um Norte.

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:56
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FEROCIDADE DO SENTIMENTO

Entrei em vaga de tempo

na ervanária do sentimento.

Harmonia vampirizada!

Progressivo empobrecimento

debilitário rumo à mediocridade.

Esqueletos sem ritmo.

Porque não estimular a sensibilidade,

transformar o ressentimento incrustado

em amor e vida?

Vida borbulhante de crer no semelhante.

Quero um Norte de ventos únicos

nem uivantes, nem desoladores…

Mendigo uma lembrança

enraizada num encontro afectivo com a vida.

Não tenho memória; sem ela não posso pensar!

Fidelizo a condição do verbo

ou altero a minha condição “errana”?

 

      Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:53
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QUEDAR

chora a blusa

que meu peito já não pode!

do pão emana luz

que não sei para onde vai!

um cruel raio não deixa minhas mãos

ao rumor, rumarem…

quero aprender a educar as flores!...

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:47
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ESPELHO QUE SILENCIO

Perder-me

na celebração

com o propósito boreal

como se essa aurora

não terminasse…

Sou ave de Outono

que recusa as escamas,

dos peixes e dos répteis,

e recuso-me a não ser mais

verso por verso perverso que queria escrever!...

Posso guardar a dor

no nó da gravata encarnada,

daquela que eu não uso?

Na ânsia da fragrância

olho minha imagem no espelho do silêncio …

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:46
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FLEXIBILIDADE

E se um dia

a noite me enxovalhar…

Vida moinho

entre fumos esfumos e copos…

E fumos e sonoras gargalhadas

e o vómito de angústia de amigos

de sobresselentes e toscas ideias

onde se vasculha

a profundeza embriagada do inconsciente…

Onde ajuramento amigos

de ouvidos ébrios de espuma…

Ajuramentados

repartem pedaços de misérias

ébrios da inexistência

pela partilha do desamor

pela sobriedade inconstante

que os une

pela demência da exactidão da carência…

Os poetas

são loucos noctívagos…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:42
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PRÓPRIO SENSO

Que fantasmas guardamos?

De que fantasmas nos escondemos?

Fustigados

honrosos convívios…

Amedrontados

convivas de investidura…

Fatigar o espírito ou servir uma vida desregrada?

Felicidade astuta ou, do mais astuto?

Olvido o claustro,

fustiga a inquietação,

ecoa o oceano na lápide do peito…

Nada mais vale que um suspiro?

Há que vestir a nudez do amor!

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:40
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SING-SING FLOWER

Esqueci-me de mim

imersa em imensas vagabundagens mentais…

Hipnotizei-me

pelo pasmo do que desconheço…

Entrego-me à legião de suaves murmúrios

ao exército de suspiradores…

Cândida, estendo asas, tento voar…

Incompreensível estranheza de sorrisos esboçados!

Que fascínio pode ter a vida?…

Prendem-me na escuridão, tentam subjugar-me!

Quem me acorrenta?

Prisioneira neste nefasto jardim  

sobre vivo.

Omito as vírgulas…

Sempre que me liberto de um cardo

uma erva daninha atravessa meus muros…

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:38
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ARAME

escavo o arame calado de mim

firo

mágoa trémula da ausência

sentinela condolente

neste porte fraco

hostilmente poisada

olhos despintados no sal da dor torta

fixam-se no infinito onde a lua cresce

impulso espatifado na austeridade

na intransigência

desaperto o corpo que torneia a escuridão

inspiro a noite

lábios andróginos que se beijam e confundem

completando o ser

 

 

     Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:32
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TRANSMIGRAR

(o poema que se lê nos dois sentidos)

 

impúdico navegante

amo por amar

ao som da laranja brava

tempero o olhar

caminho para dentro de mim

nada encontro

o oco bafiento do vazio

os estragos são maiores

desesperadora

transcenderei minhas enfermidades de alma?

a espora da espera

em mar revolto pela ausência

 

      Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:27
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SUBVERSIVA

Sentir é um obstáculo!

Ser margem desesperada e

defecar psicologia caseira…

Não entendo o lado interno das coisas

desapego-me do hábito de pensar

do vício do verbo…

Ignaro ser!

Busco uns olhos,

passaporte para outro mundo…

Ignoro o complexo da pureza no fulgor do tempo.

Alma!...

do cubo ou da pirâmide?

Impropriamente extingo a ave que habita em mim.

Desapego-me da consciência

coerência subtil do inconcreto

Renasço num tempo de vontade única!

 

      Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:22
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PACIÊNCIA

Qual é o momento certo?

Qual é o maior tesouro?

As árvores sibilam “paciência”

Elas sabem

Sabem qual é o momento de reverdecer

o momento de florescer

o momento de frutificar

o momento de libertar as folhas

de ostentar a nudez

de crescer rumo ao alto…

A paciência…

o silêncio…

a espera…

Pacientemente

em silêncio

a ostra

transforma

o grão de areia

numa pérola!

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:19
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MARASMO, FUSÃO OU SUBLIMAÇÃO?

Que seja eu em ti

até que não haja “tu”

Que sejas tu em mim

até que não haja “eu”

Que sejamos nós

até sermos reduzidos

a só um.

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:17
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ALQUIMIA…

 

Modelador de olhares

criador de esperanças…

Que a verdade seja a luz

atravesse densas nuvens

beije águas desassossegadas…

Alimento em todos os sentidos…

Almejar harmonia impar

a paz interior!

ansiar medida de margens elásticas…

Rasgar,

sedutoramente,

com garras afiadas,

nun tapete ruborizado…

Paixão e virtude

integrem corpo e alma.

Alquimia da compreensão.

  

      Edite Gil 

   (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:13
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DRÍADE…

Se eu pudesse

a cada lágrima vertida

procurar teu peito…

permitir tua voz

mimosear meu sentir

afagar e beijar meu coração…

Se eu pudesse

permitir-me alcançar

desvendar teus segredos

como ninguém os desvendara…

Se eu pudesse

humildemente

expor minhas dúvidas…

medir o universo

opinar

sobre a grande questão

a busca do ser…

Se eu pudesse

pertencer

a um sonho de sereias…

ou, Dríade, em bosque denso

buscando fulgor cintilante

exporia meu peito

sem recear atentar algum… melindre…

audaciosa

ostentaria meu coração!

 

      Edite Gil

    (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:06
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